Alma
- emmamarina855
- 29 de jun. de 2023
- 1 min de leitura
Eu transfiguro tudo o que sou para quem olha para dentro de mim, com óculos frágeis mas de uma dureza impressionante. Lendo a minha alma, como se ela falasse sem dizer uma única palavra e incidindo por ela a dentro, como os raios solares que espreitam pelas ranhuras de uma janela fechada, logo pela manhã, passa tão pouco pela janela fissurada, mas tanta informação para quem a saiba ler.
Aos poucos, as fissuras vão-se tornando maiores, o conhecimento sobre a alma do que está para além dessas passagens vai aumentando também.
A alma é como um figurante na vida de quem ela pertence. Está lá, não fala, mas presente.
É difícil, às vezes, fazer com que ela apareça, com que os seus sentimentos se desdobrem e deem papel ao ator principal.
É árduo mostrar, genuinamente o que se sente mas, admirável é, quem saiba isso ler numa página branca sem quaisquer palavras...




Sendo uma pessoa maioritariamente introvertida, leio e consigo encontrar inúmeras´verdades´ no que escreves. No meu caso, embora não seja sempre intencional, a transfiguração do ser a que te referes (ou pelo menos a que julgo que te referes), acontece provavelmente como um mecanismo de defesa quase automático para filtrar, atenuar e possivelmente redirecionar a dureza de olhares superficiais para um lugar mais profundo e verdadeiro onde o meu ego e o ego de quem sobre a minha alma se debruça se calam e ao de cima só vêm sentimentos que não precisam de ser explicados nem compreendidos, mas abraçados e vividos muitas vezes em silêncio... Obrigado pelo teu texto e pelo convite à reflexão, Emma. Força!